Influência francesa na arquitetura do Recife

A arquitetura dos prédios no centro do Recife recebeu forte influência européia e particularmente francesa; o mais influente europeu foi o engenheiro e arquiteto Louis Vauthier, que deixou traços neoclássicos na construção de importantes monumentos históricos.

A Aliança Francesa do Recife realizou no último domingo um passeio ciclístico pelos principais pontos turísticos com influência francesa; o evento faz parte da programação do Ano da França no Brasil.

arquitetura-francesa-recifeO ponto de partida do passeio é o Marco Zero, onde, segundo o professor da UFPE  Tomas Lapa, a semelhança com Paris é perceptível. “O formato das ruas se abrindo a partir de um ponto central (a avenida Rio Branco e a rua Marquês de Olinda originam-se no Marco Zero) é muito semelhante ao traçado da capital francesa da época do barão Haussmann, responsável pela reforma urbana de Paris”, comenta o professor.

De lá para o Mercado São José é um pulo. O mais antigo edifício pré-fabricado em ferro no país, inaugurado em 7 de setembro de 1875, foi inspirado no Mercado de Grenelle, em Paris. O prédio perdeu um pouco de sua arquitetura original após passar por reformas, quando foram colocados combogós de cimento, em substituição às venezianas originais de madeira e vidro. Mas a estrutura de ferro está intacta. O passeio é histórico, mas o visitante aproveita a oportunidade para fazer compras de artesanato e frutas da região, já que o preço é amigável.

A obra mais evidente do engenheiro francês Louis Léger Vauthier foi o Teatro Santa Isabel, inaugurado em abril de 1869. De acordo com o urbanista Tomas Lapa, as outras construções, com influência francesa, foram baseadas no projeto do suntuoso teatro. O monumento divide o cenário com o Palácio do Campo das Princesas, Praça da República e Palácio da Justiça, tendo o rio Capibaribe como pano de fundo (ver fotos aqui). O nome foi uma homenagem à Princesa Isabel, filha do Imperador Pedro II; o Imperador esteve presente na noite de inauguração do local.

Mesmo após retornar a Paris, o francês Louis Vauthier não abandonou a obra e coordenou a reforma do teatro a distância, depois do incêndio sofrido em 1869.

Vale a pena contemplar a Ponte Princesa Isabel, que liga os bairros de Santo Antônio a Boa Vista, elaborada pelo mesmo engenheiro francês em 1845. Continuando o passeio, observe a Casa da Cultura, assim como o Cemitério de Bom Jesus, atual cemitério de Santo Amaro e perceba a semelhança com os da França (com exceção da má conservação).

Bem próximos estão situados a Casa do Arcebispo, a Academia Pernambucana de Letras (antiga mansão do Barão Rodrigues Mendes) e a antiga casa do Tribunal Regional Eleitoral, estas duas últimas localizadas na avenida Rui Barbosa. O professor da UFPE ressalta que a influência francesa é forte em outras obras, como do engenheiro pernambucano Mamed Ferreira, que estudou na mesma École Des Ponts Et Chaussées de Vauthier.

O roteiro francês finaliza-se com a Ponte Pênsil (Caxangá), os casarios da rua da Aurora e a reforma do antigo convento dos frades Oratorianos, transformada no edifício da Alfândega.

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.