Recife

História de Recife e Pernambuco



A História da região inicia-se em 1534, quando Portugal criou as capitanias hereditárias.

mapa capitania hereditaria pernambuco A Capitania de Pernambuco foi doada a Duarte Coelho Pereira, que chegou ao Brasil pela primeira vez em 1535.

Duarte Coelho, seguindo a praxe portuguesa, estabeleceu-se a princípio nas colinas de Olinda (o que permitia visualizar eventuais embarcações inimigas surgindo no horizonte - mesmo propósito do Castelo de São Jorge, em Lisboa); vale registrar que, antes de Olinda, Duarte primeiro estabeleceu um povoado em Igaraçu, que faz jus assim ao título de mais antigo núcleo populacional do Brasil.

Não houve cerimônia formal de fundação de Olinda ou Recife.
No dia 12 de março de 1535, Olinda foi elevada à condição de Vila, e nessa data comemora-se o aniversário da cidade.
Em um documento foral de 1537, é feita menção aos "Arrecifes" na área baixa de Olinda, e por isso considera-se data de fundação do Recife 12 de março de 1537.
Ambas as cidades comemoram aniversário no mesmo dia, outro motivo para chamá-las cidades-irmãs.

Pernambuco foi uma das poucas capitanias hereditárias que prosperaram, graças a dois fatores: a boa adaptação que a cana-de-açúcar teve ao solo da região (até hoje, a maior parte das terras do litoral entre Maceió e João Pessoa são tomadas por canaviais) e, principalmente, a dedicação que Duarte Coelho teve a seus empreendimentos.

Duarte Coelho não apenas veio viver no Brasil, como trouxe sua esposa, dona Brites de Albuquerque (e como assumiu a capitania após a morte do marido em 1554, dona Brites foi a primeira mulher a ocupar uma função de comando na política brasileira).

arranha céu Recife A economia açucareira não teria se desenvolvido se não fossem os esforços de Duarte e Brites, que mantiveram permanente contato com a Coroa Portuguesa a fim de que fossem providenciados os recursos necessários para produção do açúcar, bem como os canais para sua exportação.

Apesar de seu relevante papel na História de Pernambuco, não há monumento à sua altura, nem no Recife nem em Olinda.
Ironicamente, a homenagem foi feita por motivos empresariais: um dos dois arranha-céus gêmeos do Recife, visíveis de toda a cidade localizados à entrada do Capibaribe, com vista permanente para o horizonte do Atlântico, foi batizado de Duarte Coelho; o outro edifício chama-se Maurício de Nassau, outra importante figura histórica de Pernambuco (tivesse a construtora um pouco mais de conhecimento histórico, o edifício se chamaria Brites de Albuquerque).

Desde cedo, a cultura da região baseou-se na mistura de três povos: europeus, índios e negros; de início, os portugueses tentaram utilizar mão-de-obra escrava índia; entretanto, após sucessivos levantes indígenas, optou-se por importar mão-de-obra africana (o que, por si só, constituia-se num grande negócio).
Recife, por décadas, foi apenas o porto utilizado para escoar a produção local e receber peças da metrópole; o nome Recife deriva da faixa de recifes que acompanha boa parte do litoral da região. Essa situação alterou-se a partir de 1630, quando os holandeses (atraídos pela riqueza da cana-de-açúcar) ocuparam Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Acostumados que estavam às terras planas da Holanda, os holandeses preferiram estabelecer-se em Recife. Em 1637, o conde Maurício de Nassau assume o governo das possessões holandesas no Brasil. Culto, Nassau conduziu uma revolução urbanística na cidade: ruas foram planejadas e traçadas, várias pontes foram construídas; Nassau trouxe da Europa grandes arquitetos, engenheiros e paisagistas que deram um ar de metrópole à cidade do Recife.

Várias das obras urbanísticas dos tempos de Nassau são ainda visíveis na cidade, como a ponte que leva o seu nome, a mais antiga do Brasil.
Alguns dos quadros pintados pelo holandês Frans Post no Brasil são hoje importante documentos que retratam o país naquela época; veja algumas obras de Post, retratando o Brasil, no museu do Louvre, em Paris (o Instituto Brennand tem uma coleção semelhante).

Quando os holandeses foram expulsos, em 1654, Recife tinha-se tornado importante entreposto comercial. A rivalidade entre os senhores de engenho, que tornaram a ocupar Olinda, e a emergente classe comerciante que se formara em Recife resultou na Guerra dos Mascates (Mascate era forma pejorativa de se referir àqueles que se dedicavam ao comércio), no início do século 18.
Ainda fundada na cultura de cana-de-açúcar e na pujança do porto, Recife continuou desenvolvendo-se, tanto econômica como intelectual e culturalmente, durante os séculos 18 e 19. A Faculdade de Direito do Recife é uma das mais antigas do Brasil; vários importante jornais foram publicados no Recife - atualmente, o Diário de Pernambuco, com mais de 150 anos de circulação contínua, é o jornal mais antigo da América Latina.

Recife teve papel importante nos mais importantes momentos históricos do Brasil. Em 1817, Pernambuco tentou proclamar-se independente de Portugal, mas o movimento foi derrotado. A Revolução Praeira (1848) questionava o regime monárquico, e já pregava a República. Joaquim Nabuco, um dos maiores símbolos do Abolicionismo, iniciou suas pregações no Recife.

A cidade consolidou sua posição como pólo comercial e cultural de toda a região Nordeste ao norte da Bahia. Os sucessores dos mascates tornaram Recife um centro distribuidor; comerciantes de várias cidades vinham ao Recife comprar mercadorias para revender localmente.

No século 20, durante a Segunda Guerra, Recife recebeu forte influência dos americanos que aqui vieram (ver Recife na Segunda Guerra).

Após a criação da SUDENE, em 1950, a economia da região ganhou novo impulso, dessa vez com o fomento de indústrias. Grandes empreendimentos foram instalados em pólos industriais de Recife; ainda hoje, o setor industrial é o mais importante na economia da cidade.
Mais recentemente, uma nova tendência tem sido observada: o crescimento do setor de serviços. Recife tem hoje o segundo maior pólo médico do Brasil, com grande concentração de hospitais e médicos especialistas. Com a criação do Porto Digital, Recife está assumindo também papel de ponta no setor de tecnologia da informação no Brasil.

Por fim, a grande vocação do Recife, Olinda e outras cidades de Pernambuco: o turismo.
A infraestrutura que se criou ao longo dos séculos para receber os comerciantes foi ampliada e adaptada para receber turistas de todas as partes do Brasil que chegam, atraídos pela riqueza cultural e pelas belezas naturais da região; Recife dispõe de ampla estrutura de acomodações, restaurantes e serviços turísticos.
Salta aos olhos dos visitantes a riqueza cultural, mistura de elementos europeus, índios e negros, que se reflete nos ritmos e sabores da cidade. E essa riqueza vem rodeada por algumas das mais belas praias do Brasil.
Em 2014, Recife foi uma das sedes da Copa do Mundo no Brasil.
Pernambuco: você vai se apaixonar.