Rio de Janeiro

Historia do Rio de Janeiro

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Historia da cidade e do Estado do Rio

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O Rio de Janeiro (tanto o Estado quanto o município) tem uma das Histórias mais ricas do Brasil.

Não apenas porque é uma das Histórias mais longevas.
Mas principalmente porque, como o Rio foi por longo tempo capital administrativa (tanto da Colônia, como do Império, como da República), econômica e cultural do país, ele foi palco de grandes eventos e marcos da História, muitos dos quais encontram-se registrados (o Rio tem mais museus e centros de cultura do que qualquer outro Estado do Brasil) e visíveis até os dias de hoje (para um estudioso de História, um passeio entre Copacabana e o Centro Histórico demandaria paradas em diversos pontos).

A cidade do Rio de Janeiro foi fundada em 1 de março de 1565, por Estácio de Sá, primeiro Governador-Geral do Rio de Janeiro.
Ao contrário dos dias atuais, em que a orla do Rio tem os terrenos mais caros do país, no século XVI o interesse da Coroa Portuguesa pelo sul do Brasil era muito baixo.
Ao se lançar na expansão ultra-marina, o objetivo de Portugal era encontrar regiões de onde traria produtos para revender na Europa; assim foi com as minas de ouro e os mercados de escravos na Africa, e os mercados de especiaria na India.
No Brasil, o produto que mais se adaptava a esse interesse mercantilista era o pau-brasil. Entretanto, como as operações na India eram mais lucrativas, o Brasil foi, a princípio, relegado por Portugal.

Em 1555, os franceses, comandados por Nicolau Durand de Villegaignon, invadiram a Baía da Guanabara e criaram a França Antártica, onde ficaram por dez anos (não confundir com a segunda invasão francesa, que ocorreria quase 200 anos depois).
Fundação Rio de Janeiro Logo após a expulsão dos franceses, o Rei determinou a Estácio de Sá que fundasse a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, na várzea existente entre os Morros do Pão de Açúcar e Morro Cara de Cão (quadro ao lado retrata a Fundação do Rio de Janeiro, autor Antonio Firmino Monteiro).

Pelo restante do século 16 e todo o século 17, o Rio de Janeiro teve papel secundário no Brasil colônia.
Foi a época do ciclo de cana de açúcar, que desenvolveu-se mais no Nordeste (principalmente Pernambuco e Bahia) do que no Sul. Vencidas as subsequentes batalhas contra franceses e indios (os goitacases eram particularmente guerreiros e hostis), a economia açucareira viu também certo desenvolvimento no Rio, primeiro em direção ao Norte, e depois ao longo do Vale do Rio Paraíba do Sul; por essa época, o Rio começou a utilizar mão-de-obra escrava africana.

No início do século 18, fortaleceu-se o ciclo do ouro.
A região aurífera das Minas Gerais (incluindo cidades como Ouro Preto - antiga Vila Rica, Diamantina, Barbacena) tornou-se o centro econômico da Colônia.
Todo o ouro tinha que ser exportado para Portugal. Para controlar a produção e transporte, o Rei de Portugal ordenou a criação de postos ao longo de uma trilha que ligava as cidades produtoras ao Porto de Parati; essa trilha originou a hoje famosa Estrada Real.

O Rio passa a ganhar importância econômica e política.
Em 1763, o Rei determinou que a capital da colônia fosse transferida de Salvador para o Rio de Janeiro; o Rio tinha então 50.000 habitantes.
No final do século 18, as minas começam a exaurir (Tiradentes liderou a Inconfidência Mineira e foi enforcado no Rio, no local onde hoje é a Praça Tiradentes) e o Rio perde a pujança econômica.

Sob esse clima, em 1808, a Corte Portuguesa transfere-se para o Rio.
Quinta da Boa Vista O Rei instalou-se na Quinta da Boa Vista, atual bairro de São Cristóvão.
O Brasil deixou de ser apenas colônia e tornou-se membro e sede da Corte; para adaptar-se a essa nova situação, o Rei promoveu grandes transformações, principalmente sociais, econômicas e políticas.
O Brasil passou a realizar comércio com a Inglaterra (aliado de Portugal), o que ficou conhecido como Abertura dos Portos.
O comércio entre Brasil e Inglaterra cresceu vertiginosamente. O Brasil remetia produtos agrícolas e importava industrializados. O comércio de escravos atingiu o ápice.
O Banco do Brasil foi criado em 1808; foi aberta a Academia Militar (que daria origem a diversos movimentos militares posteriores, incluindo a Proclamação da República); a Biblioteca e o Museu Nacional foram inaugurados.
As primeiras faculdades foram criadas no Brasil, incluindo a Faculdade de Medicina do Rio e a Faculdade de Direito em Sao Paulo. Diversos cientistas são trazidos para estudar e retratar o Brasil, tais como a missão francesa, o alemão Eschwege, o inglês Mawe, o francês Saint-Hilaire, os austríacos Pohl e von Matterer, o toscano Raddi e os bavaros Spix e Martius.
Foram autorizadas tímidas iniciativas nas áreas de imprensa e industrialização.
Em 1818, foi fundada a cidade de Nova Friburgo, com a imigração de algumas centenas de famílias da Suíça.
Todos esses fatos resultaram em grande impulso econômico e cultural do Rio de Janeiro, até o retorno da Corte a Portugal, em 1821.

Ao retornar a Portugal, a Corte tentou reverter as liberdades antes instauradas no Brasil.
Não foi difícil para as elites convencerem Dom Pedro a proclamar a Independência do Brasil, em 1822. No momento da proclamação, Pedro estava por acaso em São Paulo visitando sua amante, a Marquesa de Santos, mas jamais se cogitou em estabelecer a capital do Império em outro local que não o Rio.

Paço Imperial
Acima: Paço Imperial, residência dos Imperadores.
Localizado na atual Praça XV, no centro do Rio.

Em 1822, o Rio torna-se Província; tinha então aproximadamente 330.000 habitantes, dos quais 170.000 eram escravos.
A Província do Rio de Janeiro, como as demais províncias do Brasil Império, era governada por um Presidente nomeado pelo Imperador (Dom Pedro I até 1831, Dom Pedro II a partir de 1841).
Entretanto, a atual cidade do Rio foi separada da Província, ficando sob administração do Gabinete Imperial. Em 1835, foi criado o município de Niterói.

Em 1854, Irineu Evangelista de Sousa, o futuro Barão de Mauá, inaugurou a primeira ferrovia do Brasil, que ia da atual Magé até as proximidades de Petrópolis. O Barão de Mauá foi o homem mais rico do Brasil em todos os tempos, e também o mais empreendedor; graças a ele, o Rio viveu um surto de modernização comercial, financeira e industrial.
Dentre outras empreitadas, o Barão recriou o Banco do Brasil, trouxe iluminação a gás para o Rio, criou um estaleiro e uma empresa de navegação. A sociedade brasileira, em particular o Imperador Dom Pedro II, não comungavam da visão empresarial do Barão, e terminaram por travar seu progresso industrial.

Assim, a economia do Rio durante o restante do século 19 girou ao redor da produção de café e de seu consectário, o comércio de escravos.
A Província do Rio de Janeiro tornou-se a maior produtora de café do País; os cafezais ocupavam extensas áreas dos Municípios de Barra Mansa, Barra do Piraí, Resende, Vassouras, Valença, Paraíba do Sul, Sapucaia, Carmo, Cantagalo, Nova Friburgo, Santo Antonio de Pádua, Miracema, Itaperuna e Bom Jesus de Itabapoana. Mesmo no litoral, havia plantações nas zonas de S.Gonçalo, São Pedro da Aldeia, Barra de São João, Macaé e perto de Niterói.
Ao mesmo tempo, o cultivo da cana de açúcar foi retomado, principalmente em Campos dos Goitacases, onde os engenhos primitivos deram lugar a grandes e prósperas usinas. Em 1883, Campos tornou-se a primeira cidade do Brasil a instalar rede de energia elétrica.

A crescente restrição ao tráfico negreiro levou à Abolição da Escravatura, em 1888. Diferentemente de São Paulo, que havia trazido levas de imigrantes para trabalhar na lavour cafeeira, no Rio havia grande dependência da mão-de-obra escrava.
A abolição teve grande repercussão financeira (falência de muitas fazendas) e social (os escravos viram-se livres, mas jogados à própria sorte).

Proclamação da Republica Em 1889, a insatisfação das elites (cujos interesses cafeeiros e escravocratas foram os principais sustentáculos do Império) levou à Proclamação da República, no então Campo de Santana, atual Praça da República. Os antigos palácios imperiais foram transformados em bens da República.

Com a República, as Províncias tornam-se Estados. O Estado do Rio de Janeiro passou a ter por capital Niterói, enquanto o município do Rio de Janeiro ganhou o status de Distrito Federal.
Em 1894, a capital do Estado é transferida para Petrópolis; em 1903, Niterói volta a ser a capital.

Entre 1903 e 1906, o então Prefeito, Pereira Passos, promove uma radical reforma urbana no centro do Rio. Inspirado no plano urbano de Paris, Pereira Passos colocou abaixo os antigos prédios, abriu largas avenidas, construiu diversos prédios públicos; foi essa reforma que deu ao Centro do Rio o aspecto atual.
Em 1903, Oswaldo Cruz assume o cargo de Diretor Geral de Saúde Pública; em 1904, Cruz lança a campanha de vacinação obrigatória contra varíola, que detona a chamada Revolta da Vacina. Em 1917, ano de sua morte, Oswaldo Cruz havia sido reconhecido como grande sanitarista, tendo praticamente erradicado a febre amarela e a varíola do Rio; o então Instituto Manguinhos passa a ser chamado Instituto Oswaldo Cruz - Fiocruz.
Em 1912, é inaugurado o Bondinho do Pão de Açúcar.

inauguração bondinho pao de açucar Em 1920, a cidade do Rio ultrapassa a marca de 1.000.000 de habitantes, então a maior do Brasil.

Nas primeiras décadas do século 20, o café, ainda o principal produto econômico do Brasil, continuou sua expansão rumo ao centro de São Paulo. Graças a terras mais férteis, mais e melhor mão de obra (os imigrantes) e melhor infra-estrutura (principalmente ferrovias), São Paulo logo se tornou o maior produtor do país.
O Rio perdeu poder econômico e político. A Primeira República ficou conhecida como República do Café Com Leite, pois os Presidentes eram de São Paulo (produtor de café) e Minas Gerais (produtor de leite).

Em 1930, Getúlio Vargas comanda uma Revolução e toma o poder.
Em 1931, é inaugurada a Estátua do Cristo Redentor no Corcovado.
Em 1937, Vargas rasga a Constituição e institui o regime totalitário do Estado Novo.
Em 1939, eclode a Segunda Guerra Mundial. Vargas negocia o apoio brasileiro aos Aliados, e obtém dos Estados Unidos a promessa de diversos investimentos.
Assim é que em 1941 iniciam-se as atividades da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda; a CSN marcaria o início de novo período de industrialização do Estado do Rio.
Até 1954, o Estado veria a abertura de fábricas de cimento, a Companhia Nacional de Álcalis, a Usina Hidrelétrica de Macacu; várias obras de infraestrutura foram reiniciadas, como esgoto, saneamento e rede elétrica.
As reformas estruturantes beneficiaram também São Paulo, que consolidou sua posição de líder econômico do Brasil.

Em 1960, Brasília torna-se o novo Distrito Federal; o município do Rio transforma-se no Estado da Guanabara.
Entretanto, o Rio permaneceu como capital cultural (as principais manifestações culturais do país, em setores como música, cinema e literatura, tinham origem no Rio) e como principal pólo administrativo do Brasil (diversas estatais, como a Petrobrás e o Banco do Brasil, permaneceram no Rio, que até hoje conta com mais funcionários públicos que Brasília).

O primeiro Governador da Guanabara foi Carlos Lacerda, que promoveu grandes mudanças.

construção do Aterro do Flamengo
Aterro do Flamengo, na
época do aterramento.

Lacerda comandou a remoção de favelas para outras regiões (e a consequente criação da Vila Kennedy e da Cidade de Deus), a construção da adutora do Rio Guandu para o abastecimento de água à cidade, e implementou uma série de modificações paisagísticas.
Dentre as principais obras realizadas na cidade nesse período, destacam-se a abertura do Túnel Rebouças, o alargamento da praia de Copacabana, e a construção da maior parte do Aterro do Flamengo, sobre o qual foi formada a mais extensa e completa área de lazer da cidade, o Parque do Flamengo (hoje denominado oficialmente de Parque Brigadeiro Eduardo Gomes), situado junto à orla da Baía de Guanabara, com 121,9 hectares e que se estende desde o Aeroporto Santos Dumont até o Morro da Viúva, em Botafogo.
Desde essa época, o Rio passou a consolidar a posição de principal destino turístico do Brasil.

Em 1974, foi inaugurada a Ponte Rio-Niterói.
Em 1974, foi descoberto o primeiro poço de petróleo em Campos, no litoral do Rio, no campo de Garoupa. Sucessivas descobertas em anos seguintes levaram o Rio à condição de maior produtor de petróleo do Brasil. Diversas empresas petrolíferas mundiais instalaram-se no Rio.
Em 1975, deu-se a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro; o novo Estado denominou-se Rio de Janeiro, com capital no município do Rio de Janeiro.

Nas décadas recentes, o Estado consolidou sua posição de pólo econômico, cultural, esportivo e administrativo do Brasil.
O Rio ainda é sede administrativa de importantes órgãos públicos e empresas privadas.
O Rio é o principal destino de turismo de lazer do país; as redes de hoteis, restaurantes e outros serviços voltados ao turismo são dos melhores no Brasil. Além da capital, diversas cidades no litoral e no interior têm aprimorado suas infraestruturas e organizado eventos que atraem cada vez mais visitantes, brasileiros e estrangeiros.

O futuro parece bastante promissor.
Em 2006, a Petrobrás descobriu um campo de petróleo gigante em uma nova formação, chamada pré-sal.
Em 2007, o Brasil foi escolhido sede da Copa do Mundo 2014, e o Maracanã já foi escolhido como estádio principal do evento.
Em 2009, o Rio foi eleito sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Essa conjunção de fatores não apenas atrai imensos investimentos (tanto privados como públicos), como ajuda o Rio a aumentar a auto-estima e firmar-se cada vez mais como Estado e cidade dos mais relevantes no Brasil.